O desassossego foi revitalizado, agora as postagens vão para lá:
http://vanessabrito.blogspot.com/
quarta-feira, 11 de março de 2009
sábado, 28 de fevereiro de 2009
Escuto, mas é como se não escutasse. Alheia a tudo e a todos, permaneço apática, como quase sempre. Suas convicções, paixões e medos me fascinam, enquanto minha indiferença me empurra para o meu lugar.
Quereria ter tantas certeza quanto vocês enquanto falam... Vaidosos, destemidos, cheios de si. Fico quieta e ouço muito pouco do que se diz na mesa, no entanto, presto atenção nos gestos das pessoas: seus passos, suas tosses, o cabelo sendo arrumado, o pouco de açúcar que cai na borda da xícara, as rugas que marcam as expressões de uma vida toda.
Alheia aos seus sentimentos eu não sei bem onde me colocar. Coloco-me no meu lugar: não faço parte do que vocês são.
Vanessa de Mello Brito
Quereria ter tantas certeza quanto vocês enquanto falam... Vaidosos, destemidos, cheios de si. Fico quieta e ouço muito pouco do que se diz na mesa, no entanto, presto atenção nos gestos das pessoas: seus passos, suas tosses, o cabelo sendo arrumado, o pouco de açúcar que cai na borda da xícara, as rugas que marcam as expressões de uma vida toda.
Alheia aos seus sentimentos eu não sei bem onde me colocar. Coloco-me no meu lugar: não faço parte do que vocês são.
Vanessa de Mello Brito
Propósito
O "se depois" é um novo blog feito em consideração àqueles que gostam de poesia e sempre perguntam por meus textos.
O desassossego e sua essência tiveram seu tempo. Aqui serão postados novos textos, novos poemas, e talvez os antigos ressurjam com outro olhar.
Lembro-me da querida poeta Adélia Woellner falando no Centro de Letras do Paraná que aqueles que têm o dom da poesia não podem guardá-la para si, devem mostrar ao mundo, às outras pessoas.
Aqui está a minha tentativa de fazer isso.
Vanessa de Mello Brito
O desassossego e sua essência tiveram seu tempo. Aqui serão postados novos textos, novos poemas, e talvez os antigos ressurjam com outro olhar.
Lembro-me da querida poeta Adélia Woellner falando no Centro de Letras do Paraná que aqueles que têm o dom da poesia não podem guardá-la para si, devem mostrar ao mundo, às outras pessoas.
Aqui está a minha tentativa de fazer isso.
Vanessa de Mello Brito
Se depois de eu morrer
Se depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia,
Não há nada mais simples
Tem só duas datas — a da minha nascença e a da minha morte.
Entre uma e outra cousa todos os dias são meus.
Sou fácil de definir.
Vi como um danado.
Amei as cousas sem sentimentalidade nenhuma.
Nunca tive um desejo que não pudesse realizar, porque nunca ceguei.
Mesmo ouvir nunca foi para mim senão um acompanhamento de ver.
Compreendi que as cousas são reais e todas diferentes umas das outras;
Compreendi isto com os olhos, nunca com o pensamento.
Compreender isto com o pensamento seria achá-las todas iguais.
Um dia deu-me o sono como a qualquer criança.
Fechei os olhos e dormi.
Além disso, fui o único poeta da Natureza.
Fernando Pessoa/Alberto Caeiro; Poemas Inconjuntos; Escrito entre 1913-15;
Publicado em Atena nº 5, Fevereiro de 1925
Não há nada mais simples
Tem só duas datas — a da minha nascença e a da minha morte.
Entre uma e outra cousa todos os dias são meus.
Sou fácil de definir.
Vi como um danado.
Amei as cousas sem sentimentalidade nenhuma.
Nunca tive um desejo que não pudesse realizar, porque nunca ceguei.
Mesmo ouvir nunca foi para mim senão um acompanhamento de ver.
Compreendi que as cousas são reais e todas diferentes umas das outras;
Compreendi isto com os olhos, nunca com o pensamento.
Compreender isto com o pensamento seria achá-las todas iguais.
Um dia deu-me o sono como a qualquer criança.
Fechei os olhos e dormi.
Além disso, fui o único poeta da Natureza.
Fernando Pessoa/Alberto Caeiro; Poemas Inconjuntos; Escrito entre 1913-15;
Publicado em Atena nº 5, Fevereiro de 1925
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